Estudo identifica os contextos em que jovens costumam beber

Como você já sabe, os jovens estão bebendo cada vez mais. Este comportamento vem sido acompanhado por especialistas da área que desejam saber o porquê desse fenômeno e, principalmente, como conscientizar uma geração, que ainda está em desenvolvimento, sobre as consequências e perigos do álcool.

Um estudo feito por pesquisadores do Pacific Institute for Research and Evaluation, nos Estados Unidos, buscou identificar os diferentes contextos em que os mais novos costumam beber.

De acordo com o estudo, questões como gênero e idade fazem com que o acesso a bebidas alcoólicas ocorra de forma distinta, mostrando que cada grupo deve ter uma campanha educativa diferente. As meninas, por exemplo, bebem em circunstâncias diferentes dos meninos. E os jovens que fumam têm mais chances de exagerar na dose do que os não tabagistas.

Segundo Sharon Lipperman-Kreda, principal autora do estudo, estudos anteriores identificaram lugares associados com algumas consequências negativas da bebida. Ela lembra uma das pesquisas segundo a qual beber em um local público é mais comum para meninas jovens. Já outro trabalho, com pessoas entre 15 e 20 anos, verificou que a frequência do consumo em restaurantes e em carros aumenta a probabilidade de embriaguez ao volante. Houve grupos de pesquisa que também verificaram a maior probabilidade de universitários fazerem sexo com desconhecidos depois de beberem em festas privadas.

“Embora vários estudos tenham analisado a associação entre o contexto do consumo de bebidas e as características da juventude, o nosso é o primeiro a examinar como essas associações mudam ao longo do tempo”, afirma a cientista. “Achados assim mostram que precisamos aprender mais sobre os lugares onde os jovens bebem”, acrescenta.

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Os dados foram coletados de 665 jovens, sendo 369 meninos e 296 meninas entre 2009 e 2012. Os participantes viviam em 50 cidades de médio porte da Califórnia e tinham entre 13 e 16 anos no início do estudo. As informações eram agrupadas levando em conta diferentes perfis, como sexo, idade, etnia, escolaridade dos pais, renda disponível semanalmente e tabagismo, entre outros.

“Primeiro, nós descobrimos que jovens com características diferentes, como gênero, idade e renda, bebem em lugares diferentes”, conta Lipperman-Kreda. Segundo ela, aqueles que bebem com mais frequência são mais suscetíveis a consumir álcool em festas e na casa de algum conhecido. Já os que bebem em maior intensidade preferem lugares como estacionamentos e esquinas. Já os jovens com problemas de comportamento bebem em qualquer lugar. “Os fumantes têm mais tendência a beber em praias ou parques, além da casa de outra pessoa”, prossegue a principal autora do trabalho, publicado na revista especializada Alcoholism: Clinical & Experimental Research.

Com o passar dos anos, os hábitos mudam, indicou o estudo. A probabilidade de jovens beberem em festas ou na casa de amigos aumenta, enquanto a de fazerem isso em estacionamentos e esquinas diminui. Já a chance de os jovens beberem na própria casa, em praias, em parques e em bares e restaurantes surge muito mais rapidamente em indivíduos com problemas de comportamento.

Caminhos para a conscientização

Esses dados sobre características dos jovens que bebem propõem novos caminhos para a conscientização sobre o consumo de álcool. “Mensagens mais específicas e apropriadas para cada grupo podem ser mais eficazes na redução do uso de álcool e de problemas relacionados a ele. Se você está tentando atingir grupos de jovens, é importante considerar onde eles estão bebendo”, indica Traci Toomey, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos.

Ela dá um exemplo: para influenciar o comportamento da juventude em geral, não faz sentido concentrar campanhas de prevenção em bares e restaurantes. Contudo, se o público-alvo são jovens mais velhos, essa opção passa a fazer mais sentido.

Falando em campanha, na sua opinião, o que falta para ampliar a conscientização sobre o álcool, especialmente pelos jovens? Deixe seu comentário abaixo!

Fonte: Correio Braziliense

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